Academia Brasileira de Letras
lança no Rio o novo vocabulário
oficial após reforma ortográfica
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha
Online, no Rio
A ABL (Academia Brasileira de
Letras) lançou no final da tarde
desta quinta-feira o exemplar da
5ª edição do Volp (Vocábulo
Ortográfico da Língua
Portuguesa). Com 976 páginas e
381.128 verbetes, o dicionário
incorpora as novas normas
estabelecidas pelo acordo
ortográfico de 1990, que foi
regulamentado no Brasil no dia
29 de setembro de 2008 e entrou
em vigor a partir do dia 1º de
janeiro deste ano.
Para o acadêmico Evanildo
Bechara, responsável pela
organização da obra e
coordenador da Comissão de
Lexicografia e Lexicologia (ramo
da linguística que estuda a
origem das palavras e seus
significados) da ABL, a reforma
ortográfica vai fortificar os
países de língua portuguesa.
"A sabedoria popular diz que a
união faz a força. Se a língua
portuguesa se dividir será
engolida como foram engolidas
todas as línguas diante de uma
língua imperial como foi o latim",
disse Bechara, que concluiu
comentando que o inglês, o
espanhol e o mandarim são
consideradas as atuais línguas
imperiais.
O cônsul-geral de Portugal no
Rio, Antônio Almeida Lima,
também apontou as novas regras
ortográficas como "importante
estratégia para um mundo cada
vez maior da língua portuguesa e
da lusofonia". Ele ainda afirmou
que tanto Portugal quanto os
outros países de língua
portuguesa vão apresentar uma
resistência natural às mudanças
das regras.
"Nós somos dez milhões de
portugueses vivendo em Portugal,
mais cinco milhões no exterior.
Não posso falar por cada um
deles e a forma como cada um vai
assimilar. Vai ser certamente um
caminho difícil, mas sem dúvida
as gerações novas vão aprender
mais rápido e as gerações
antigas vão continuar escrevendo
de uma forma ou de outra e o
tempo se encarregará de nos
encaminhar para uma ortografia
comum", disse Lima.
O acadêmico Bechara ainda
comentou que o uso do hífen é o
item mais complicado nas regras
antigas. "Essa reforma vai
simplificar o uso do hífen",
garantiu.
Bechara também afirmou que o
prefixo "re" acabou não se
separando nas novas regras
devido a uma tradição que sempre
existiu tanto em Portugal como
no Brasil.
"Sempre escrevemos reedição e
reeleição junto. Não mudou
porque existia uma tradição. O
acordo ora deixava alguns pontos
na penumbra, ora o acordo se
esquecia de outros pontos",
comentou.